Estudantes empurram barcos na lama para ir à escola durante seca no Bailique, no AP: 'Não tem outro jeito'

  • 17/09/2026
(Foto: Reprodução)
Estudantes empurram barco na lama para ir à escola durante seca no Bailique A seca rigorosa no Arquipélago do Bailique, distrito a 180 km de Macapá, no Amapá, reduziu o nível dos rios e travou a navegação do transporte escolar, afetando a vida dos moradores de diversas comunidades da região. Com a foz do Igarapé Grande tomada por bancos de lama, estudantes são obrigados a desembarcar, empurrar as embarcações motorizadas e fazer longas caminhadas a pé pela mata para conseguir chegar às salas de aula e retornar para casa. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp "A gente faz esse mesmo trajeto todo dia: tem que empurrar a rabeta, mas ela não passa de tão seco que está. A gente anda na lama porque não tem outro jeito, a gente não pode fazer nada. Chega num ponto que não dá mais para ir de barco. A gente chega até numa certa distância e depois tem que entrar na mata para poder chegar na comunidade", relata a estudante Cheuda de Pinho, de 18 anos, em um vídeo gravado durante o trajeto. Estudante Cheuda Batista de Pinho gravou um vídeo durante trajeto para a escola no Bailique. Divulgação Espera na margem e logística comprometida Sem conseguir avançar pelos canais navegáveis, os alunos deixam os barcos encalhados na lama, caminham até uma casa de apoio na margem e aguardam autorização ou carona para atravessar trechos de mata até suas comunidades. A estiagem desregulou completamente os horários e a rotina escolar em unidades da rede estadual no arquipélago. Nesses locais, o acesso às aulas passou a depender exclusivamente da subida e descida da maré. Quando o rio enche, os barcos passam; quando seca, o acesso fica totalmente bloqueado. Como a frota escolar encalha com facilidade, barqueiros e estudantes dependem da logística improvisada para cumprir os turnos da manhã e da tarde. Em muitos trechos, alunos chegam a aguardar horas na margem até conseguir transporte em áreas de água mais profunda. Estudantes empurram barcos na lama para ir à escola durante seca no Bailique. Divulgação Risco de ataques de arraias no leito raso Além do desgaste físico das caminhadas sob o sol e na lama, a tentativa de manter a frequência escolar expõe os jovens a acidentes com animais comuns no fundo raso dos igarapés, principalmente arraias. Uma moradora local, que acolhe em sua residência três estudantes do ensino fundamental cujos barcos escolares não conseguem chegar até as comunidades de origem, descreve o dilema enfrentado pelos jovens. "Se o aluno não pular na água para puxar a rabeta encalhada, fica no sol quente ou passa a noite toda preso no leito do rio. Os jovens preferem arriscar levar uma ferroada do que ficar isolados. Em toda viagem tem gente se ferindo, porque você é obrigado a pular no leito seco para arrastar o barco", contou a moradora que preferiu não se identificar. LEIA MAIS: Focos de calor no Amapá sobem 400% no início da estiagem, aponta meteorologista El Niño atrasa chuvas no AP e acende alerta para seca e risco de queimadas, aponta Censipam Isolamento que dura meses O drama vivenciado pelos estudantes e moradores estende-se ao longo de todo o período do "verão amazônico", temporada de estiagem que vai de julho a dezembro. A situação é agravada durante o fenômeno da "maré morta", quando a variação das águas é mínima e a pouca vazão do rio fica represada, paralisando totalmente a mobilidade na região por dias seguidos. Estudantes empurram barcos na lama para ir à escola durante seca no Bailique. Divulgação O que diz o governo? A Secretaria de Estado de Transportes (Setrap) informou que enviou uma equipe ao local para avaliar o caso. Segundo o órgão, os técnicos atuam em alinhamento com a Defesa Civil e preveem uma vistoria com apoio do Grupo Tático Aéreo (GTA) para analisar a área do acidente. Detalhes sobre o diagnóstico da estrutura só serão divulgados após essa análise.

FONTE: https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2026/09/17/estudantes-empurram-barcos-na-lama-para-ir-a-escola-durante-seca-no-bailique-no-ap-nao-tem-outro-jeito.ghtml


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